11/01/2016

Prólogo de “Morning Star”, de Pierce Brown

PRÓLOGO DE “MORNING STAR”, DE PIERCE BROWN

Desperto na escuridão, longe do jardim que eles regaram com o sangue de meus amigos. O Dourado que matou minha esposa está morto ao meu lado na plataforma de metal frio, sua vida apagada pela mão do seu próprio filho.

O vento do outono açoita meus cabelos. A nave burburinha abaixo. Na distância, chamas rasgam a noite com um laranja brilhante. Os Telemanus descendem da órbita para me resgatar. É melhor que eles não o façam. É melhor deixar a escuridão me levar e permitir que os abutres lutem pelo meu corpo paralisado.

As vozes de meus inimigos ecoam atrás de mim. Demônios grandiosos com rostos de anjos. O menor deles se curva. Acaricia minha cabeça enquanto olha para seu pai morto.

— A história sempre acabaria assim — ele me diz. — Não com seus gritos. Não com a sua fúria. Mas com o seu silêncio.

Roque, meu traidor, está sentado no canto. Ele era meu amigo. Um coração muito amável para sua Cor. Agora ele vira a cabeça e vejo suas lágrimas. Porém elas não são para mim. São para ele. Pelo o que ele perdeu. Por aqueles que já tirei dele.

— Não há Ares para salvá-lo. Nem Mustang para te amar. Você está sozinho, Darrow. — Os olhos do Chacal estão distantes e tranquilos. — Como eu. — Ele levanta uma máscara preta fechada com uma focinheira e a prende ao meu rosto. Escurecendo minha visão. — É assim que termina.

Para me despedaçar, ele matou aqueles que eu amo.

Mas há esperança naqueles que ainda vivem. Em Sevro. Em Ragnar e Dancer. Penso em todo o meu povo aprisionado na escuridão. Em todas as Cores de todos os mundos, algemados e acorrentados para que os Ouros possam governar, e sinto a raiva queimar no vazio escuro que ele esculpiu em minha alma. Eu não estou sozinho. Eu não sou sua vítima.

Então, que ele faça seu pior. Eu sou o Ceifeiro.

Eu sei como sofrer.

Eu conheço a escuridão.

Não é assim que acaba.

Original: Entertainment Weekly
Usado em: Livros em Série